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Comunicação de notícias difíceis na pediatria


Noticiar não é o mesmo que fazer entender. Muitas vezes, a fala só se torna uma ferramenta de construção e transformação quando ela é c outro — impactando o seu pensar e, sobretudo, o seu sentir.

A fidedignidade do que dizemos não mora apenas nas palavras enunciadas, mas no modo como habitamos o nosso corpo enquanto falamos. É o olhar que sustenta, o gesto que acolhe, a postura que respeita e o tom de voz que ampara. Acima de tudo, é a vontade genuína de estar ali. O outro precisa sentir que não estou apenas entregando um diagnóstico, mas oferecendo-me em presença.

Como bem pontuou a Professora Rosana Cipolotti, existem detalhes sutis e grandiosos quando permitimos que a criança e o adolescente participem desse processo. Quando entendemos as histórias de vida e quando enxergamos o que causa a complexidade da dor. Mais do que informar, ser médico é oferecer-se como companhia em um processo que sabemos ser difícil, mas que não precisa ser solitário. É transformar a técnica em disponibilidade humana.


Anna Valeska Procópio

 
 
 

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